Deus é Mãe

Por Michel Lbaki, em 23/01/2020

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Fui educado na Igreja Metodista. Aos 18 anos me tornei ateu. O meu ateísmo durou até eu completar 45/50 anos, não me lembro bem.

Passei então a dar alguma abertura para o mistério da vida e da morte e passei a frequentar de maneira esporádica algumas igrejas, sem me vincular a nenhuma delas.

Não consigo mesmo conviver com o machismo das igrejas. É o Pai, o Filho, o Espírito Santo, o Pastor, o Padre, o Rabino e outros. Para mim é algo que me incomoda, principalmente depois que foram tornados públicos os casos de assédio sexual e de pedofilia ocorridos em muitas delas. Acho muito complicado o que ocorreu ou ainda ocorre em todas as Igrejas, inclusive em algumas outras doutrinas como no espiritismo ou no Santo Daime.

Os casos de abusos sexuais de crianças e de mulheres, são muito numerosos.

Continuo admirando a fé de inúmeras pessoas dedicadas ao trabalho religioso, mas sinto que não conseguiria mais me integrar num trabalho assim.

Por outro lado, fui a semana retrasada na Missa de 7º dia de um amigo e fiquei impressionado com a beleza das músicas e da liturgia. Acho que foi a primeira vez que me senti bem e tranquilo numa missa católica. Também assisti ao filme Os dois Papas e fiquei impressionado com a profundidade do diálogo entre eles.

Jamais tentei convencer alguém a acreditar ou deixar de acreditar, em qualquer religião. Fico um pouco incomodado quando tentam me converter ou a aceitar Jesus como meu salvador. É algo que não faz mais parte da minha vida.

Ao mesmo tempo eu me emociono tanto com o nascimento quanto com a morte de Cristo. Acho muito bonita a história da estrela de luz que conduziu os magos até o berço de Cristo. Já li que se os magos fossem mulheres, dariam presentes mais práticos para a Maria do que ouro, incenso e mirra. Mas o papel de Maria é o mais relevante nesta história.

Assim como na morte de Cristo. A tortura que ele sofreu carregando a cruz e sendo crucificado, apupado pelos homens de bem da época e sendo socorrido por Maria e por Madalena é uma história simbólica.

Infelizmente os instrumentos de tortura nunca deixaram de ser utilizados, foram apenas modificados com o tempo ou região, palmatórias, pelourinhos, chicotadas, afogamentos, cadeira de dragão, pau de arara. Todos sendo utilizados com a indiferença ou com o apoio dos homens de bem.

Deus, se existe, não tem sexo. É mais amplo do que isto. Então posso perfeitamente imaginar Deus como Deus Mãe, no feminino. Para mim é feminino. Não consigo nem imaginar o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Consigo até ter alguma interação com essa parte espiritual se imaginar Deus como Deus Mãe. Mãe, Filha e Santa.

Acho as mulheres muito superiores aos homens. Fico cada vez mais revoltado quando tomo conhecimento de casos de violência contra as mulheres, tanto a violência doméstica quanto a violência na rua.

Acho que as reações a essas violências estão cada vez mais ganhando força, através de legislação específica, denúncias, delegacias da mulher e associações, independente de todo o retrocesso político que o país está passando.

E a diversidade das opções de todas as pessoas é ainda mais impactante nos casos das mulheres.

Esse processo é irreversível!

Termino esse texto com alguns versos do Chico Buarque, da música Rosa dos Ventos:

“E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima para socorrer”

“Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar”

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